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Cadastrar usuário de pré-pago pode ser útil contra violênciaA proposta do governador Geraldo Alckmin de proibir o uso de celulares pré-pagos como forma de conter a violência é bem-intencionada, mas mostra certo desconhecimento da indústria de telecomunicações, disse hoje Dário del Piaz, vice-presidente do Yankee Group na América Latina e integrante do Comitê de Telecomunicações da Amcham-SP. “Não se pode acabar com o pré-pago”, afirmou Dal Piaz, recentemente nomeado membro do Comitê de Defesa dos Usuários de Serviços de Telecomunicações da Anatel. “Pré-pago é só uma forma de pagamento, não apóia nem inibe a criminalidade.” Segundo Dal Piaz, ao invés de proibir a utilização dos pré-pagos, a identificação de seus usuários - com as devidas proteções ao consumidor - seria melhor para evitar seu uso indevido. Por não exigirem cadastro e permitirem a comunicação sem risco de rastramento, pré-pagos têm sido usados em seqüestros e crimes. “Com a identificação, já existe tecnologia de rastreamento que pode ajudar a polícia a combater a criminalidade”, afirmou. A proibição do uso dos pré-pagos causaria um impacto razoável no setor. Celulares pré-pagos hoje representam aproximadamente 70% dos aparelhos usados no país, gerando 40% da receita das empresas de telefonia celular. Cerca de 80% do crescimento das operadoras provêm dos pré-pagos. A Telesp Celular, que atua no Estado de São Paulo, possui 5 milhões de clientes, dos quais 66% usam o serviço pré-pago. A Telefônica Celular, que opera a banda A no Rio de Janeiro e Espírito Santo, conta com 3 milhões de clientes, sendo 60% de serviços pré-pagos. A BCP, operadora da banda B, possui 1,779 milhão de clientes na Grande São Paulo, sendo 32% de serviços pós-pago e 68% de pré-pago. Sem uma fatura mensal, taxa de assinatura ou consulta a listas de proteção ao crédito, os celulares pré-pagos se tornaram atraentes principalmente para as classes C e D, muitas vezes substituindo o telefone fixo. “Se o pré-pago for proibido, grande parte da população ficará desprovida daquele que muitas vezes é seu único meio de comunicação”, afirmou Humberto Cagno, diretor da Siemens e vice-presidente do Comitê de Telecomunicações. Segundo Luis Cuza, vice-presidente da Boyden do Brasil e chairman do Comitê de Telecomunicações da Câmara Americana de São Paulo, identificar usuários de pré-pagos é um procedimento simples e que certamente contaria com a ajuda não só da população, mas também do setor. “Empresas perdem oportunidades com a falta de identificação, como a possibilidade de de divulgação de novos serviços,” afirmou Antônio Hélio Guerra Vieira, presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “Além disso, grande parte dos usuários de pré-pagos são estudantes - que eventualmente vão se tornar usuários de pós-pago.” Já existem táticas para dificultar a vida de bandidos e infratores que usam celulares roubados. Segundo o Jornal do Brasil (novembro de 2001), a polícia alemã conseguiu diminuir muito o número de pré-pagos roubados enviando a cada cinco minutos, para esses celulares, a mensagem "Cuidado, este é um telefone roubado e está sendo usado ilegalmente". 22/01/2002
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